Sempre houve grande descrença quanto a possibilidade de uma terapia capaz de reverter as paralisias provocadas por lesão da medula e tal fato deve-se a grande complexidade dos fatores envolvidos nesse problema. A despeito dessa dificuldade, pesquisadores têm dedicado toda sua vida científica em busca desse objetivo, que eles chamam de Santo Grall dos neurocienistas.
Todo o esforço entretanto tem sido recompensado com importantes descobertas e uma delas sem dúvida é a elucidação do motivo que impede as células nervosas (neurônios) presentes no SNC (Sistema Nervoso Central = cérebro + medula) de se regenerarem após uma lesão.
Ao contrário dos neurônios espalhados pelas demais partes do corpo e capazes de se regenerar, as mesmas células quando no SNC ( Sistema Nervoso Central )não possuem essa capacidade, o que torna irreversíveis as lesões no cérebro e medula. E o motivo dessa incapacidade é a presença, nos neurônios do SNC, de uma proteína inibidora do crescimento do neurônios. A partir desse conhecimento, desenvolveu-se um anticorpo de modo a neutralizar a ação dessa proteína na medula e possibilitar a regeneração dos neurônios lesados.
Ao mesmo tempo outros estudos foram e continuam sendo realizados, notadamente no que diz respeito a descoberta e avaliação de algumas substâncias chamadas de fatores de crescimento de neurônios, ou seja, substâncias capazes de estimular o crescimento das células nervosas.
Em relação as paralisias provocadas por lesão medular, é importante ressaltar que a lesão física na medula pode se apresentar de várias formas, de acordo com a causa da lesão. Em alguns casos pode haver a formação de uma cicatriz no local lesionado, já em outras situações ocorre apenas uma desmielinialização das fibras nervosas, ou seja, causas diferentes que terão o mesmo efeito, que é a perda da capacidade da medula em conduzir os estimulos nervosos através da região lesionada e por fim, a paralisia. Causas diferentes que exigirão abordagens terapêuticas diferentes. Esse ponto explica as diversas abordagens terapêuticas exploradas pelos cientistas. Não apenas as citadas acima, mas muitas outras.
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Em relação aos experimentos com animais, sem dúvida merece destaque os experimentos desenvolvidos no Instituto Karolinska da Suécia e publicados em meados de 1996 na revista Science.
Utilizando ratos adultos como modelo, eles promoveram nesses animais uma lesão medular extremamente radical, com secção completa da medula e uma separação de 0,5 cm entre as partes (fazendo comparação com um traumatismo medular humano, seria a condição mais grave e imaginável possível). Nesses animais, o tratamento consistiu em retirar nervos do tórax desses animais e colocá-los como uma ponte entre um lado e outro da medula seccionada (a esse tratamento foram acrescentados as substâncias anteriormente citadas que estimulam o crescimento dos neurônios).
Nos três meses que se seguiram, os ratos tratados começaram a mexer as extremidades e posteriormente as patas, como que tentando caminhar. Um ano após, os ratos eram capazes de suportar o próprio peso e caminhar, embora de forma cambaleante.
Esses resultados foram considerados incríveis pela comunidade científica envolvida nessa questão e embora não signifique a cura das paralisias provocadas por lesão medular, mostra que alcançar a cura não é um sonho, mas uma possibilidade real.
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Sob a direção do Dr. Tarcisio Barros, está em fase inicial no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, experimentos humanos baseados na técnica desenvolvida pelo Instituto Karolinska da Suécia. Esse experimento foi aprovado pela comissão de ética da Faculdade de Medicina e conta com a participação de pacientes portadores de lesão medular provocadas por arma de fogo. Os pacientes foram selecionados segundo requisitos exigidos pela equipe e concordaram em participar dos trabalhos.
Os resultados preliminares deste trabalho só estarão disponíveis em junho de 1998 durante o Encontro Científico Internacional em Foz do Iguaçu.
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Os dados estatísticos a seguir são americanos, mas servem para dar uma idéia de quem é o portador de lesão medular e quando e como ocorrem as lesões.
Nímero total de portadores de lesão medular
Número de novos acidentados anualmente
Principais causas de lesão medular
Idade
Lesão completa X incompleta
Paraplegia X Tetraplegia (comprometimento do movimento dos braços)
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