Notícias publicadas na imprensa relacionadas a lesão medular


Jornal O Globo, 03 de Novembro de 1998

Implante de célula nervosa pode tratar paralisia

Americanos começam a usar método contra o mal de Parkinson

WASHINGTON. A crença de que regenerar e substituir células nervosas é impossível está cada vez mais fraca. Na semana passada, cientistas americanos descobriram que os neurônios (células do sistema nervoso) de certa áreas do cérebro humano podem se regenerar. Agora, pesquisadores da Califórnia anunciarem ter dado um passo além e começado a cultivar células cerebrais. O objetivo é tentar multiplicá-las e usá-las para tratar problemas até agora incuráveis, como os males de Alzheimer e de Parkinson, e lesões causadoras de paralisia.

Em seis meses, cientistas farão estudos com seres humanos

Estudos com camundongos mostraram ser possivel regenerar neurônios e fazer animais paralíticos andarem novamente com uso de drogas que impedem a formação de novos vasos sanguíneos. Cientistas do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, esperam fazer algo semelhante com seres humanos, mas utilizando uma arbordagem diferente. Eles querem multiplicar os neurônios de pessoas doentes e reinjetá-los em substituição a células danificadas.

Já iniciamos estudos com pacientes que sofrem de mal de Parkinson. Mas é cedo para saber se os implantes de neurônios funcionam. Tratar pessoas paraliticas devido a derrames ou lesões na medula espinhal é muito mais difícil - disse o chefe da pesquisa, Michael Levesque.

Ele disse que sua equipe já identificou, multiplicou e reintroduziu neurônios no cérebro de animais paraliticos. Em seis meses, Levesque e seus colegas esperam fazer o mesmo com pessoas paralisadas por lesões na medula espinhal.


Jornal do Brasil 30 de Junho de 1998

Implante ajuda coluna de ratos

Ratos que tiveram a coluna vertebral quebrada recuperaram algum movimento das pernas depois de tratados com seu próprio sangue. As células nervosas geralmente se regeneram, exceto da coluna vertebral(células nervosas do cérebro também). A cientista Michal Schwartz do Instituto Weitzmann de Israel acha que elas não recebem ajuda suficente dos macrófagos (células do sistema imunológico) que limpam os ferimentos e ajudam a cicatrização. Para provar isso, implantou macrófagos diretamente sobre a coluna dos ratos e obteve a regeneração das células nervosas.

Clique aqui para ver o mesmo assunto em inglês.


Jornal do Brasil 06 de Novembro de 1997

LONDRES - Uma técnica revolucionária que pode substituir tecido cerebral lesionado foi desenvolvida por uma equipe de cientistas britânicos. Na prática, é um transplante cerebral. O tratamento, testado em ratos, pode ajudar a reverter doenças cerebrais, como os males de Alzheimer e Parkinson.

O novo tratamento, desenvolvido em Londres, pode ser usado em doenças degenerativas e em problemas provocados por falta de oxigênio do cérebro, como derrames ou enfartos. Só nos EUA e Reino Unido, essas doenças afetam 5 milhões de pessoas.

Atualmente, as disfunções neurológicas do cérebro (e medula) praticamente não têm tratamento porque os neurônios, ao contrário das outras células, não são substituídas pelo organismo.

A equipe de psiquiatria do Hospital Maudsley, em Londres, liderada por Jeffrey Gray, injetou células de embriões de camundongos no cérebro de ratos, lesionados por ataques cardíacos simulados. Depois, os ratos, que sofriam de amnésia total e grave disfunção cognitiva, se recuperaram completamente e foram capazes de executar tarefas complexas.

As células implantadas migraram para várias áreas danificadas no cérebro dos ratos. Ali, elas adotaram as características das células mortas. O sucesso da experiência levou a empresa ReNeuron a vender a pesquisa. Experiências em humanos deverão começar dentro de três anos e um tratamento poderá estar disponível no início do próximo século.

De acordo com Gray, as células implantadas agem como um kit de primeiros-socorros para o cérebro. "Ficamos surpresos com a recuperação das funções cerebrais. Mas o que mais impressionou foi que as células se moveram até as áreas lesionadas", diss Gray.

Para complementar a nova terapia, os pesquisadores descobriram uma nova maneira de provocar a multiplicação de milhões de células de fetos humanos em laboratório, usando um gene de câncer que é acionado em temperaturas inferiores a do organismo.

"Nós poderemos cultivar células em laboratório, deixá-las no congelador e fornecê-las ao neurocirurgião quando for necessário", avisou John Sinden, co-fundador da ReNeuron. A única alternativa para o tratamento envolvia células de fetos abortados. "Agora, a necessidade de usar os fetos vai desaparecer", disse Sinden.


Jornal do Brasil 28 de Julho de 1997

BALIMORE, EUA - Cientistas da Universidade Jonh Hopkins desenvolveram o primeiro cultivo de células humanas básicas em laboratório. Quando crescem, essas células podem formar todos os tipos de células e tecidos do corpo.

A descoberta foi apresentada anteontem no Congresso Internacional de Biologia de Desenvolvimeno, em Baltimore, e pode abrir caminho para uma eventual produção de tecidos humanos, como os dos nervos ou do músculo do coração.

Além disso, os cientistas acham que as novas pesquisas permitirão a modificação do material genético, que se transmite de geração em geração. Mas isso ainda pode demorar, já que as experiências nessa área estão proibidas na Universidade Jonh Hopkins.

O crescimento de células humanas foi feito a partir de células de fetos abortados. O objetivo dos pesquisadores é obter um tipo de células especiais que fariam parte de um tecido específico para transplantes. Isso evitaria a rejeição dos tecidos, comum em transplantes, principalmente de coração.

"De acordo com os resultados das pesquisas em animais será possível alterar as células humanas. Assim evitaríamos que o sistema imunológico do organismo reonheça os tecidos de transplantes como corpos estranhos e desenvolva rejeição", explicou o médico da Universidade Jonh Hopkins, Jonh D. Gearhart, cordenador da pesquisa.

"Em caso positivo teremos um doador universal de células, que poderá ser transformado em tecido e transplantado em qualquer paciente com poucas chances de rejeição", disse Geahart.


Jornal do Brasil 14 de Julho de 1997

GAINESVILLE, EUA - Uma equipe americana realizou o primeiro transplante de tecido celular embrionário, em uma tentativa de controlar a evolução de uma lesão na medula espinhal de um homem paralisado. O transplante de células nervosas de um embrião para um homem de 43 anos foi realizado no Hospital Shands, na sexta-feira.

O paciente sofre de uma doença degenerativa chamada sirigomielia, caracterizada pela formação de cavidades na medula, o que provoca dor extrema e perda progressiva de sensibilidade e dos movimentos. O homem, que não foi identificado a pedido da família, estava em condições estáveis após a cirurgia.

"Nosso principal objetivo não é restaurar a mobilidade ou sensibilidade perdida, mas conter a expansão das cavidades e evitar maiores danos", disse o médico Richard Fessler. Na cirurgia, foram injetadas pequenas partes da medula embrionária diretamente nas cavidades.

O uso de tecido embrionário é polêmico entre os próprios pesquisadores que ajudam a desenvolver a técnica. "Agora, a questão é quem será a fonte. Para muitos pesquisadores, isso é inaceitável do ponto de vista bioético", aponta a pesquisadora Maria Michedja, da Universidade de Georgetown, uma das pioneiras em transplantes desse tipo. No início do ano, ela publicou resultados promissores de transplantes em chipanzés, usando macacos.

A pesquisadora alerta para o potencial para a "criação de fetos" quando uma mulher fica grávida para vender o feto para transplante de medula. "Se as mulheres começarem a conceber e ficar grávidas para fornecer esse material, estaremos em uma situação grave", disse. Michejda informou que seu estudo foi feito apenas com fetos de mulheres cujo aborto foi devido a complicações médicas no segundo trimestre da gravidez e concoredaram em participar da experiência.

Comentário: essa foi a primeira vez que tecido fetal humano foi transplantada nos EUA e doutores na Rússia têm relatado experimentos similares.


Jornal do Brasil 06 de Junho de 1997

"Solicitou: ontem, ao Cogresso os Estados Unidos, aumento das dotações orçamentárias para pesquisas de doenças da coluna vertebral, o ator Christopher Reeve, que ficou tetraplégico há dois anos, depos de uma queda de cavalo. Acompanhado de sua mulher, Dana, o ex-Super-Homem - personagem que o tornou popular em todo o mundo - compareceu ao Senado numa cadeira de rodas e disse: É necessário elegermos representantes capazes de entender que a pesquisa nesse campo não é meramente especulativa nem um desperdício de dinheiro."

Comentário: essa atitude do ator Christopher Reeve é explicada pelo fato do NIH (National Health Institute) do governo americano fornecer apenas 40 milhães de dólares anualmente para as pesquisas que buscam a cura da lesão medular. Segundo Wise Young, um conceituado neurocientista da Universidade de Nova Iorque, há uma ligação direta entre dinheiro investido nas pesquisas e o tempo necessário para se obter a cura da lesão medular. Caso os investimentos em pesquisa fossem de 200 milhões anuais, que representa uma pequena fração dos 5 bilhões gastos anualmente com tratamentos dos lesados medulares americanos, a cura pode ser obtida em talvez 5 anos.


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